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domingo, 14 de março de 2021

#OsFilmesDoMeuTempo | Anos 60

Pois é, estou de volta com esta saga d'Os Filmes do Meu Tempo. Desta vez falamos nos filmes dos anos 60.


1. Psycho (1960)

Psico é, provavelmente, o filme mais conhecido de Hitchcock. Afinal de contas, não é à toa que o realizador é conhecido como o "pai do terror psicológico". A premissa tem início com Marion Crane, que rouba 40 000 dólares ao patrão e foge para ir ter com o amante. Graças a uma tempestade, é obrigada a parar a meio do caminho e fica no Motel Bates. Mal ela sabe que foi a pior decisão que podia ter tomado. O que acontece desde que Marion entra no motel prefiro não dizer, pois estaria a estragar todo o suspense intendido por Hitchcock até ao último minuto. Digo apenas que é um filme que tem tanto de surpreendente como de macabro.

É também neste filme que se encontra uma das cenas mais famosas do cinema (a cena do duche), em que foram precisos 78 takes até chegar ao resultado final.

Sem dúvida um dos melhores thrillers que já vi e um dos filmes mais emblemáticos da história do cinema. 



2. The Apartment (1960)

Esta comédia romântica retrata a história de Bud Baxter, um funcionário de uma empresa que aluga o seu apartamento para que o seu chefe possa levar para lá a amante. O que ele irá descobrir é que a amante do seu chefe é a mulher pelo qual está apaixonado. Aqui surge um dilema: amor ou carreira.

Apesar do género deste filme, retrata alguns temas mais sérios como o suicídio, o adultério e a solidão. 

Tendo ganho 5 Óscares, incluindo o de Melhor Filme, recomendo muito que vejam, pois tem um enredo muito cativante e é representado por alguns dos melhores atores desta época, como Shirley MacLaine e Jack Lemmon.



3. Breakfast At Tiffany's (1961)

Provavelmente o filme mais conhecido desta lista e um dos mais marcantes na carreira de Audrey Hepburn

Tem como protagonista Holly Golightly, uma socialite nova-iorquina excêntrica e uma mulher independente, que faz planos de casar com um homem rico. Estes planos são ameaçados ao conhecer o seu novo vizinho Paul Varjak, com quem cria uma ligação. À medida que se aproxima de Paul, o seu passado vai sendo revelado e complica a sua relação com o mesmo.

Tal como o filme anterior, é um filme mais leve, do género comédia romântica e, apesar de não o considerar um filme extraordinário, é um clássico do cinema dos anos 60, adaptado do romance de Truman Capote e que merecia ter algum destaque nesta lista, pelas várias cenas emblemáticas e por ter contribuído para que Audrey Hepburn se tornasse no ícone que ainda hoje é.

Além disto, contém uma das cenas mais bonitas do cinema desta época, em que podemos ouvir a personagem principal cantar o tema "Moon River", que é simplesmente maravilhoso.



4. To Kill A Mockingbird (1962)


Desde já, começo por dizer que, desta lista, este é o meu filme preferido. Li primeiro o livro, que é só espetacular e o filme não lhe fica muito atrás. 
Passado na pequena terra de Maycomb, onde vivem sobretudo agricultores e "pessoas do campo", é uma história que assistimos através da perspetiva de uma criança, Scout que vive com o seu irmão Jem, a criada negra Calpurnia e o seu pai, Atticus Finch, um advogado bastante respeitado em Maycomb. Em grande parte do filme assistimos à infância de Scout e Jem, em que se fala muito da casa da família Radley, pois um mistério paira na sua casa (mistério esse que irá ser mais relevante para a história do que aparenta). 
Mas, a história de destaque neste filme é a de Tom Robinson, um negro acusado de violar uma rapariga branca. Por ser negro, nem sequer é posta em causa a sua inocência, mas Atticus Finch pensa de forma diferente. Assim sendo, este defende Tom em tribunal, decisão essa que é contestada pela grande maioria das pessoas de Maycomb. Senti alguma raiva e alguma tristeza ao assistir a esta história e ao ver Tom ser tão injustiçado, mas garanto-vos que vale muito a pena assistirem a este filme.
É uma história muito bonita, que nos remete para temas como a igualdade e a justiça, que são dois dos valores que mais defendo. Torna-se ainda mais especial por conseguirmos vê-la da perspetiva de Scout, a qual podemos ver crescer sob efeito de todos os acontecimentos e situações que a rodeiam. 



5. Guess Who's Coming To Dinner (1967)

Vi este filme hoje e, sendo um filme dos anos 60 e tratando de um tema tão relevante, decidi inclui-lo nesta lista.
Trata-se da história de um casal que, se apaixona rapidamente e rapidamente se decide casar. No entanto, há um problema. Ele (John) é negro e ela (Joey) é branca. O filme tem início com a chegada de ambos à casa de Joey, cujo objetivo é apresentar o seu noivo aos pais. Independentemente da sua aprovação, Joey está decidida a casar com o homem que ama, mas este decide que apenas se casa com ela se os seus pais aprovarem.
Não nos podemos esquecer do contexto em que isto acontece, pois esta era uma época em que o racismo era muito vincado na sociedade e, como tal, os pais de ambos demonstraram uma grande preocupação para com o preconceito que estes pudessem sofrer, mesmo tendo os pais de Joey incutido valores de igualdade na sua educação e tendo demonstrado simpatizar bastante com John. 
É um filme que se vê bastante bem e, de certo modo, trata um tema bastante controverso, especialmente para a época e muito importante, inclusive nos dias de hoje, com alguma leveza. Tem uma cena final que faz o filme brilhar.


Menções Honrosas: The Man Who Shot Liberty Valence (1962); Goldfinger (1964); The Sound Of Music (1965); Bonnie&Clyde (1967).



Na minha "Bucket List":

La Dolce Vita (1960)
Lawrence of Arabia (1962)
The Birds (1963)
Il Gattopardo (1963)
Doctor Zhivago (1965)
Persona (1966)
Once Upon A Time In West (1968)
2001: A Space Odissey (1968)
Rosemary's Baby (1968)



Espero que tenham gostado destas sugestões. Digam-me nos comentários qual o filme desta lista que vos deu mais curiosidade e a vossa opinião se já viram algum deles.



terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

#OsFilmesDoMeuTempo | Anos 50


Ao longo deste último ano e com o confinamento, o tempo passado em casa aumentou consideravelmente e, por isso, voltei a ver muitos mais filmes do que via. Tendo isto em conta, tive a ideia de partilhar aqui pelo blog alguns dos meus filmes preferidos de cada década. 

Uma coisa que sempre me fez alguma confusão foi ouvir vários amigos meus dizerem que não gostam de ver filmes a preto e branco ou que filmes dos anos 90, por exemplo, são muito antigos, e eu venho desmistificar um bocado estas opiniões. Comecemos pela década de 50.


Os anos 50 foram muito marcados pelo surgimento da televisão. Como tal, as idas ao cinema decresceram consideravelmente. Não só por isto, mas também por mudanças no estilo de vida (americano), como a mudança de habitação para os subúrbios e a adoção de outro tipo de atividades de lazer, como as viagens e o desporto.

Deste modo, os cineastas tiveram de adotar novas estratégias para cativar a atenção dos espectadores, tais como os métodos widescreen, big-approach, Cinemascope, VistaVision e Cinerama, além de truques como o cinema em 3D.

Os grandes nomes desta época como Alfred Hitchcock, John Ford ou Billy Wilder revolucionaram a história do cinema, ao criarem alguns dos filmes mais adorados pelo público até aos dias de hoje.

Também na representação, foi nos anos 50 que atores como James Stewart, John Wayne e Marlon Brando atingiram o auge da sua popularidade, assim como as atrizes Grace Kelly, Marylin Monroe e Jayne Mansfield.

Confesso que ainda não vi tantos filmes desta época quanto queria, mas estes são alguns dos que mais gostei:


1. Rear Window (1954)

Alfred Hitchcock é um dos grandes mestres do cinema (além de ser o Mestre do Suspense) desta época e até, de sempre. Foi um grande visionário e um cineasta muito "à frente" do seu tempo. A sua preocupação com os aspetos técnicos nota-se bastante em todos os seus filmes e, em particular n'A Janela Indiscreta

Este filme retrata a história de Jeff (James Stewart), um fotógrafo que se encontra preso a uma cadeira de rodas por ter partido uma perna. Nestas condições, passa o verão inteiro a observar os vizinhos através da janela. O que torna este filme muito diferente é o facto de ser todo visto da perspetiva do protagonista, a partir do interior do seu quarto, o que consiste numa da técnicas cinematográficas inovadoras adotadas pelo realizador. Além disto, conseguimos perceber que Hitchcock pensou em tudo com muito detalhe, o que tornou esta obra ainda mais especial. Refiro-me essencialmente aos personagens que fazem de vizinhos, pois as suas histórias acabam por também se tornarem numa parte essencial deste enredo, assim como aos cenários, que eram bastante complexos e interessantes, tendo em conta este período.

A história começa realmente quando Jeff pensa que um dos seus vizinhos matou a mulher, a cortou aos pedaços e se viu livre do corpo. Apesar do género principal deste filme ser o thriller, consiste também numa história de amor este o personagem principal, que tem alguma relutância em comprometer-se numa relação e Lisa (Grace Kelly), a sua namorada. 

Prefiro não revelar mais pormenores, porque este género de filme o exige, mas aconselho muito a que vejam, é um dos meus preferidos deste realizador incrível e vale muito a pena!


2. 12 Angry Men (1957)


Este é, provavelmente, o meu filme preferido desta época. É por este tipo de filmes que vale a pena ver filmes antigos, pois não teve qualquer tipo de suporte em imagens espetaculares, cenários extravagantes ou guarda-roupas mirabolantes para que se tornasse cativante. São, literalmente, 96 minutos a observar 12 homens numa sala a discutir entre si, para chegarem a um acordo. Mostra-nos o poder da argumentação e da empatia. Tem discursos cativantes e muda a nossa perspetiva em relação à premissa inicial: um homem é acusado de matar o próprio pai. Inicialmente, parece culpado. Mas será que existem provas suficientes de que foi mesmo ele? 
O que mais importa nesta história não é saber se o acusado é culpado ou não, mas sim a análise dos factos e ajudar-nos a perceber que nem tudo o que parece é. Leva-nos a questionar várias coisas importantes e, por isso, vale muito a pena.

3. Vertigo (1958)

Mais uma obra-prima de Alfred Hitchcock. Este filme retrata a história de Scottie, um ex-detetive da polícia que tem medo de alturas e que é contratado para seguir uma mulher chamada Madeleine Elster, até descobrir que esta é a reincarnação de Carlotta Valdez, uma mulher que foi usada por um homem e depois lançada para a prostituição, até que se suicidou. Tendo isto em conta, muitos acontecimentos emocionantes decorrerão ao longo do filme, sendo que não irei alongar-me mais, pois seriam spoilers demasiado grandes.

No fundo, é como se fosse a história de amor entre Scottie e a morte. É um filme cujo suspense se mantém até ao fim, prendendo-nos ao ecrã desde o início. Aconselho muito a que vejam.


4. Some Like It Hot (1959)

O filme mais leve e divertido que faz parte desta lista é, sem dúvida, Some Like It Hot. Além de ser um dos filmes que tornou Marylin Monroe num ícone desta época, é ainda protagonizado por Jack Lemmon e Tony Curtis, que são brilhantes neste filme. 

Conta a história de dois amigos músicos que, após testemunharem um assassinato da máfia, improvisam um plano à pressa para conseguirem fugir ilesos. Desta forma, fingem ser mulheres, integrantes de uma banda exclusivamente feminina, da qual a personagem de Monroe faz parte e, a partir daqui, as peripécias mais inesperadas e divertidas acontecem. Para quem não é tão fã de filmes mais dramáticos ou de suspense, este é o que vos aconselho.



Menções Honrosas:  Singing In The Rain (1952); Sabrina (1954); The Seven Year Itch (1955); Anatomy Of A Murder (1959).


Na minha "Bucket List":

 - Sunset Boulevard (1950);
 - All About Eve (1950);
 - Seven Samurai (1954);
 - The Seventh Seal (1957);
 - Rebel Without A Cause (1955);
 - Roman Holiday (1953).


Digam-me nos comentários qual destes filmes vos suscitou mais curiosidade e quais os vossos preferidos desta década.