Além disto, já vi a minissérie "And Then There Were None", também da Agatha Christie que adorei completamente. Assim sendo, decidi-me por ler "O Assassinato de Roger Ackroyd", pois era um dos que tinha melhores reviews no Goodreads.
A premissa tem início com a morte de Mrs. Ferrars, amante de Roger Ackroyd. Por saber demais acerca deste acontecimento, também Ackroyd é assassinado. Todo o enredo se desenrola em volta da sua morte. O narrador é um médico, amigo de Roger e que estava presente na sua casa, na noite do assassinato, o Dr. Sheppard. Ao descobrir que Hercule Poirot (que se encontra reformado) é o seu novo vizinho, junta-se a este para investigar o caso e descobrir tudo o que se passou naquela noite.
De uma forma geral, acho que foi uma leitura muito leve e cativante. Nunca me apeteceu largar o livro, porque de facto passamos todo o tempo a tentar desvendar o mistério e a cada nova pista, achamos que sabemos quem é o assassino para logo a seguir surgirem factos que dizem precisamente o contrário. Confesso que, no meu caso, a pouco mais de meio do livro já tinha uma forte suspeita acerca do assassino e acertei, pelo que o final não foi tão impactante como foi nos filmes e série que vi da Agatha Christie. Não sendo um livro arrebatador, não deixa de ser uma boa história, dentro do género e é daqueles livros que aconselho a quem não tem hábitos de leitura mas que gostava de os começar a ter, pois acho que é uma leitura fácil e leve, com um enredo bem construído.
“Entendam isto, eu pretendo chegar à verdade. A verdade, por mais feia que seja, é sempre curiosa e bela para quem a busca… Messieurs et mesdames, digo-vos, eu quero saber. E saberei - apesar de todos vocês. ”
Pontuação: 7/10
Este blog é afiliado da Wook. Assim, ao comprares livros AQUI, estarás a contribuir para o meu crescimento literário. Obrigada!
Como já tinha dito na publicação anterior, esta foi uma das minhas leituras preferidas de Fevereiro e atrevo-me a dizer de 2021. Eu sei que ainda só estamos em Março, mas duvido que algum livro que ainda vá ler este ano supere este.
Quando peguei nele, fui um pouco a medo, pois apesar de as críticas deste livro serem espetaculares, a história em si não pareceu ser nada o meu género e o facto de ter ouvido dizer que continha cenas muito violentas, fez com que ficasse reticente. Ainda assim, arrisquei e que bem que fiz.
Tara Westover conta-nos a sua história de vida, na primeira pessoa, desde a sua infância passada em Buck Peak, numa família grande de religião mórmon até à atualidade. Tara percorreu um longo caminho para chegar onde chegou. Digamos que "esquisita" é um eufemismo para descrever a sua família. O seu pai acreditava no modo de vida à margem da sociedade e, por essa razão, Tara e os irmãos não iam à escola, não iam aos hospitais, trabalhavam desde cedo e cresceram a acreditar num governo dominado pelos Iluminatti e sem saber nada sobre o mundo que os rodeia. Além disto, era violento de um modo psicológico para com os outros e Tara foi agredida fisicamente por um dos irmãos de forma sistemática. Tara decide obter uma educação, mesmo que isso não vá de encontro às ideologias do seu pai e, a partir daqui, esta jornada é qualquer coisa de incrível, pois esta simples miúda de uma família mórmon do Idaho, sem qualquer tipo de educação, consegue chegar a Cambridge e a Oxford, mesmo indo contra tudo e contra todos. É maravilhoso "observar" Tara a desemaranhar-se dos traumas e das marcas deixadas pela sua infância e adolescência para se tornar numa mulher culta, inteligente e bem sucedida.
Este é daqueles livros que tem uma escrita bem fluida e nos magnetiza a cada página, pois dificilmente desviamos o olhar. Acho que é uma história tão inspiradora, que deveria ser obrigatório lê-la, pois acaba por nos fazer valorizar ainda mais a educação, a saúde, o amor-próprio e a família.
E vocês, já leram este livro? E qual a vossa leitura preferida deste ano, até agora? Digam-me tudo nos comentários.
"Tens de deixar de pensar dessa maneira. Não és ouro falso, daquele que brilha apenas sob uma luz particular. Quem quer que venhas a ser, o que quer que te tornes, foi assim que sempre foste. Esse brilho sempre esteve em ti. Não em Cambridge. Em ti. Tu és ouro. Regressares à BYU, ou até a essa montanha de onde vieste, não mudará quem és. Poderá mudar a forma como os outros te veem, poderá até mudar a forma como te vês a ti mesma - até o ouro parece desprovido de brilho a uma determinada luz -, mas essa é a ilusão. E sempre foi."
Pontuação: 9/10
Já há muito tempo que queria ler este livro, pois já tinha visto várias reviews espetaculares acerca desta obra de Sylvia Plath e, por isso, as expetativas eram elevadas. Confesso que me desiludi um pouco. Não me interpretem mal, é uma obra excelente e muito importante acerca de temas como o empoderamento feminino, a saúde mental e os padrões da nossa sociedade, algo que me diz muito e sobre os quais tenho opiniões muito marcadas. No entanto, sinto que foi um pouco difícil criar uma ligação com a protagonista, pois apresenta uma atitude algo fria perante tudo o que lhe acontece.
Esta é uma história autobiográfica, protagonizada por Esther Greenwood, uma jovem de 19 anos, que tem o sonho de ser escritora. Aparenta ter uma vida perfeita planeada. Tem excelentes notas e recebe um convite para ser guesteditor numa famosa revista de moda, durante o verão. Mas as coisas não são bem o que parecem. Ao longo da narrativa podemos observar Esther deixar-se cair numa espiral de depressão e pensamentos suicidas. Tem muitas dificuldades em definir a sua verdadeira identidade e tomar decisões para a sua própria vida, assim como se recusa a viver segundo as normas da sociedade, tais como o facto de os homens terem mais direitos do que as mulheres ou de não ser bem visto pelos outros que uma mulher não queira casar.
Grande parte desta narrativa passa-se em instituições psiquiátricas e sobre como eram tratadas, na altura, as pessoas que sofriam doenças mentais, o que pode ser bastante chocante, para algumas pessoas. Desde lobotomias a choques elétricos, esta obra é também uma crítica a este tipo de tratamentos antiéticos e, na maioria dos casos, ineficazes. Felizmente, a ciência tem evoluído desde essa altura e já existem muitos estudos acerca de novas medicações, entre outro tipo de tratamentos.
De uma forma geral, sinto que este livro nos abre os olhos para algo que penso existir muito em falta, nos dias que correm, que é a empatia. Percebemos com a história de Sylvia Plath que nem tudo o que aparentamos ser demonstra o que realmente pensamos e sentimos e é preciso ter alguma sensibilidade para perceber isso e para perceber que os nossos atos tem repercussões nos outros. De um modo geral, gostei muito deste livro, pelas temáticas abordadas, ainda que tenha defraudado um pouco as minhas expetativas.
“Para a pessoa dentro da campânula de vidro, vazia e imóvel como um bebé morto, o próprio mundo não passa de um sonho mau. ”
Pontuação: 7/10
2020 foi de longe o ano que li mais, muito devido à quarentena. Os meses de Março e Abril despertaram esta minha paixão pela leitura e, ao longo do ano, tentei não perder o ritmo. Ao todo, li 17 livros, o que já foi uma superação da meta que tinha apontado de 12 livros. Deixo-vos agora os 4 livros que mais gostei de ler (tendo em conta que foi uma escolha muito difícil, porque consegui ler livros excelentes este ano).
1. Stoner, John Williams
William Stoner nasceu no final do século XIX numa família de agricultores pobres do Missouri. Enviado para a universidade para estudar agronomia, apaixona-se pela literatura inglesa e abraça a vida de um professor académico, tão diferente da existência miserável que tinha conhecido até então.
No entanto, com o passar dos anos, Stoner encontra uma sucessão de deceções: o casamento sem sucesso, que o afasta dos pais; a sua carreira é "bloqueada" por colegas; a sua mulher e filha afastam-se friamente,...
É uma história tão simples e tão bonita sobre um homem que faz algumas escolhas erradas na vida e que também teve o seu quê de azar, contada de uma forma tão cativante por John Williams. Sobre como o amor aos livros o salvou de momentos de solidão e infelicidade na vida pessoal e profissional.
2. O Fio da Navalha, W. Somerset Maugham
Este foi o livro que li mais recentemente e talvez o que mais me surpreendeu, pois peguei nele sem qualquer tipo de expetativa. O protagonista é Larry Darrell, um jovem que, após ter sido salvo por um amigo na guerra, começa a questionar o mundo em que vive e tudo aquilo em que acredita. Ao recusar viver segundo as convenções impostas pela sociedade, para buscar o sentido da vida, Larry torna-se simultaneamente uma frustração para os que o rodeiam – principalmente para Isabel, a namorada, que lhe exige que arranje um trabalho e se comporte de acordo com as normas da sociedade da época e Elliott, tio desta, que cultivam acima de tudo a aceitação e o prestígio sociais – e a personificação de um ideal de espiritualidade e não-compromisso.
Mais tarde, publicarei a review completa desta obra aqui no blog.
3. Fahrenheit 451, Ray Bradbury
Bem, se leram a publicação anterior, sabem o quão gostei deste livro e da mensagem que deixa. Retrata no seu melhor a liberdade e o poder que os livros nos concedem. Podem ver a review completa AQUI.
4. Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley
Esta é uma distopia bem ao meu gosto, que tem como principal tema a desumanização dos seres humanos, em que a civilização é dominada pela ciência e tecnologia. Tem como protagonistas Bernard Marx, um homem de uma casta superior, que se sente sozinho e diferente devido ao seu físico inferior e que acredita em diferentes valores daquele que são impostos pela sociedade e também John, o Selvagem, que é descoberto por Bernard numa Reserva de Selvagens (pessoas que vivem à parte da sociedade) por ter sido fruto de uma relação entre dois membros da sociedade (o que é proibido). Ao ser trazido à civilização por Bernard, John destaca-se pelas suas crenças e comportamentos bastante diferentes dos restantes, pois sente-se revoltado pela desumanização que observa. Achei este livro muito interessante, onde prevalece o seguinte dilema: Estabilidade/Felicidade vs Verdade/Beleza.
E vocês? Quais os livros que gostaram mais de ler este ano?
Esta é uma história distópica protagonizada por Guy Montag, um bombeiro cuja função é queimar livros, ao invés de apagar fogos.
Até uma determinada altura, Montag nunca tinha questionado as consequências que as suas ações produzem, permanecendo sempre num estado apático perante a vida que leva e o que o rodeia. Vive num casamento infeliz, com uma mulher que, tal como o resto da população, vive na ignorância e portanto, sem liberdade. É apenas após conhecer Clarisse, uma jovem vizinha excêntrica, que o apresenta a um passado onde as pessoas não viviam com medo e a um presente onde Montag vê o mundo através das ideias dos livros, em vez da conversa irracional da televisão, que este "abre os olhos" e começa a questionar tudo o que sempre conheceu.
Acho que, comparando com outras distopias, nomeadamente 1984 e Admirável Mundo Novo, tem uma escrita bastante mais simples e fluida, não deixando de transmitir ideias igualmente importantes. Penso que a principal mensagem que podemos tirar daqui é que "Conhecimento é Liberdade". Um mundo em que as pessoas não leiam e não se informem e sejam completamente bombardeadas por vários estímulos imediatos provenientes da evolução da tecnologia (como é o caso da televisão ou das redes sociais, hoje em dia), que não lhes dê sequer espaço para pensar, refletir e que lhes diga o que pensar e sentir é um mundo onde, na minha opinião, não vale a pena viver. Identifiquei-me muito com a mensagem deste livro e achei o enredo muito cativante. Acho esta história extremamente importante e atual, pois leva-nos a refletir para onde estamos a ir, com a evolução da tecnologia e da sociedade e sobre a importância do pensamento crítico e do poder e liberdade que nos concede.
"Sabe porque é que livros como este são tão importantes? Porque têm qualidade. E o que significa a palavra «qualidade»? Para mim significa textura. Este livro tem poros. Tem feições. Podíamos analisá-lo ao microscópio , e encontraríamos vida por baixo da lamela, uma profusão de vida em movimento. Quanto mais poros, quantos mais registos dos pequenos pormenores da vida tal como ela é encontramos por centímetro quadrado numa folha de papel, mais «literário» é o texto. Essa é, pelo menos, a minha definição. O pormenor revelador. O pormenor fresco. Os bons escritores tocam muitas vezes a vida. Os medíocres apenas lhe passam a mão pelo pelo. Os maus violam-na e deixam-na para as moscas. Vê agora porque os livros são temidos e odiados? Porque mostram os poros do rosto da vida."
Pontuação: 8,5/10
O livro está muito bem escrito e as histórias são muito envolventes, não nos deixando desviar o olhar do livro, enquanto não tivermos acabado de o ler. O que destaco mais desta obra são, sem dúvida, as personagens, que são descritas com grande detalhe e dei por mim a tentar perceber o seu modo de agir e pensar, o que torna esta experiência de leitura muito especial.
Deixa-me tão feliz saber que estou a partilhar esta história com alguém, porque este foi um dos livros que mais marcou a minha adolescência e é uma história com a qual sempre me vou identificar e que me faz relativizar o que realmente importa. Aborda temas como a alienação, o sofrimento que sentimos enquanto crescemos, a falsidade do mundo adulto, a solidão e o início de relacionamentos e da sexualidade na adolescência.
No fundo, The Catcher in the Rye é um clássico americano que conta a história de um miúdo de 16 anos que se sente perdido, sem saber dar rumo ao seu futuro. Apesar de ser um rapaz inteligente e sensível, Holden Caulfield narra a história com um tom aborrecido e cínico. Após ser expulso do seu quarto colégio, este embarca numa aventura inesperada, onde conhece várias pessoas diferentes e passa por experiências que nunca imaginou.
O que realmente torna este livro tão especial e único é o facto de qualquer que seja a idade, sexo ou personalidade de quem esteja a ler, todas as pessoas se podem identificar com este personagem icónico, que apenas se quer descobrir a si próprio, descobrindo o mundo à sua volta.
1. 1984, George Orwell
1984 é aquele livro que, na minha opinião, devia estar na lista de "Livros a ler antes de morrer" de qualquer pessoa. Quando o li, passei tanto tempo a pensar nele, em todos os pormenores e a tentar arranjar uma explicação na minha cabeça para o que tinha acabado de ler. É uma história tão complexa mas que nos permite tirar conclusões tão simples. Aquilo que tirei deste livro foi que na vida, existe uma infinidade de coisas que não conseguimos controlar mas que ainda assim, podemos tentar dar a volta por cima. Que se nos forçarmos a acreditar em algo e o repetirmos na nossa mente, conseguimos acreditar. Que mesmo que lutemos para alcançar um objetivo de bem maior, nem tudo é possível, pois muitas vezes, existe alguém com mais poder ou malícia que vai fazer de tudo para nos parar. Que nem tudo é o que parece e que as pessoas fingem ser o que não são para obter algo em troca.
Esta é a história de um mundo utópico em que o governo é constituído por um poder totalitário perfeito em que a revolta é impossível, e cujo lema é:
O protagonista desta história é Winston, um funcionário do Ministério da Verdade, da Oceania. Winston era um homem indiferente à sociedade totalitária em que vivia mas, após ter encontrado o seu grande amor em Julia e ter sido incentivado por O'Brien (um membro do Partido Interno com quem Winston simpatizava), passou a revoltar-se contra o Partido e ter as suas próprias opiniões. Winston vive esta grande aventura, de viver por si e não por quem se encontra no poder, para aprender a maior lição da sua vida.
Este é o meu livro preferido pela intensidade da escrita e dos personagens, que são tão envolventes e pela história que nos deixa tão revoltados quanto o próprio Winston.
Espero que tenham gostado desta publicação, pois já há muito tempo queria partilhar este tema convosco. Se quiserem deixar nos comentários, digam qual destes três livros vos deu mais vontade de ler e sugestões de livros que tenham adorado.
















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