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domingo, 11 de julho de 2021

LIVROS | Daisy Jones & The Six


Bem, parece que estou de volta com as minhas opiniões literárias. Desta vez, venho falar-vos de um livro que tem sido bastante falado nos últimos tempos pelas redes sociais e que, por essa razão, também eu me rendi ao mesmo. Trata-se de Daisy Jones & The Six. O título do livro dá nome à banda que protagoniza este livro. Esta é a história de como a banda foi criada, do seu processo criativo, da vida na estrada, das suas vidas pessoais e dos problemas que surgiram, que (*spoiler alert*) deram origem ao desmembramento da banda.
Para começar, este livro tem um formato completamente diferente, pois é escrito em forma de entrevista/documentário, o que nos permite ver a perspetiva de cada personagem acerca de tudo o que aconteceu. Pensei que me ia custar a entrar no ritmo deste formato tão diferente, mas a leitura foi bastante fluida e acabei até por gostar bastante da forma como o livro foi escrito.
Achei que Taylor Jenkins Reid fez um excelente papel na caracterização das personagens, pois quase nos leva a acreditar que estas pessoas existiram mesmo. Inclusive, escreveu as letras das músicas de Daisy Jones & The Six, mesmo para nos levar a acreditar na "veracidade" desta história. Apesar de ter alguns pontos ligeiramente cliché, na minha opinião, gostei bastante da forma como terminou e foi uma história que me agarrou de início ao fim e que li de rajada. Soube-me particularmente bem ler este livro, porque me tirou de uma altura de ressaca literária, em que já não sentia que gostava do estava a ler há algum tempo. 
Aconselho muito a que leiam, acho que é um livro muito bom para se ler no verão. É de leitura fácil, mesmo em inglês  e ideal para quem quer (re)começar a ler.


"She had written something that felt like I could have written it, except I knew I couldn't have. I wouldn't have come up with something like that. Which is what we all want from art, isn't? When someone pins down something that feels like it lives inside us? Takes a piece of your heart and shows it to you? It's like they are introducing you to a part of yourself. And that's what Daisy did, with that song. At least for me."



Pontuação: 8,5/10


domingo, 21 de março de 2021

LIVROS | O Assassinato de Roger Ackroyd, Agatha Christie


A minha curiosidade para ler Agatha Christie tem vido a crescer ao longo do tempo. A minha irmã introduziu-me ao universo do detetive Hercule Poirot com os filmes "Morte no Nilo" e "Um Crime no Expresso do Oriente" que confesso que gostei muito, especialmente pelo fator surpresa que lhes é associado.

Além disto, já vi a minissérie "And Then There Were None", também da Agatha Christie que adorei completamente. Assim sendo, decidi-me por ler "O Assassinato de Roger Ackroyd", pois era um dos que tinha melhores reviews no Goodreads.

A premissa tem início com a morte de Mrs. Ferrars, amante de Roger Ackroyd. Por saber demais acerca deste acontecimento, também Ackroyd é assassinado. Todo o enredo se desenrola em volta da sua morte. O narrador é um médico, amigo de Roger e que estava presente na sua casa, na noite do assassinato, o Dr. Sheppard. Ao descobrir que Hercule Poirot (que se encontra reformado) é o seu novo vizinho, junta-se a este para investigar o caso e descobrir tudo o que se passou naquela noite.

De uma forma geral, acho que foi uma leitura muito leve e cativante. Nunca me apeteceu largar o livro, porque de facto passamos todo o tempo a tentar desvendar o mistério e a cada nova pista, achamos que sabemos quem é o assassino para logo a seguir surgirem factos que dizem precisamente o contrário. Confesso que, no meu caso, a pouco mais de meio do livro já tinha uma forte suspeita acerca do assassino e acertei, pelo que o final não foi tão impactante como foi nos filmes e série que vi da Agatha Christie. Não sendo um livro arrebatador, não deixa de ser uma boa história, dentro do género e é daqueles livros que aconselho a quem não tem hábitos de leitura mas que gostava de os começar a ter, pois acho que é uma leitura fácil e leve, com um enredo bem construído.



“Entendam isto, eu pretendo chegar à verdade. A verdade, por mais feia que seja, é sempre curiosa e bela para quem a busca… Messieurs et mesdames, digo-vos, eu quero saber. E saberei - apesar de todos vocês. ”




Pontuação: 7/10



Este blog é afiliado da Wook. Assim, ao comprares livros AQUI, estarás a contribuir para o meu crescimento literário. Obrigada!


domingo, 7 de março de 2021

LIVROS| Uma Educação, Tara Westover

Como já tinha dito na publicação anterior, esta foi uma das minhas leituras preferidas de Fevereiro e atrevo-me a dizer de 2021. Eu sei que ainda só estamos em Março, mas duvido que algum livro que ainda vá ler este ano supere este.

Quando peguei nele, fui um pouco a medo, pois apesar de as críticas deste livro serem espetaculares, a história em si não pareceu ser nada o meu género e o facto de ter ouvido dizer que continha cenas muito violentas, fez com que ficasse reticente. Ainda assim, arrisquei e que bem que fiz.

Tara Westover conta-nos a sua história de vida, na primeira pessoa, desde a sua infância passada em Buck Peak, numa família grande de religião mórmon até à atualidade. Tara percorreu um longo caminho para chegar onde chegou. Digamos que "esquisita" é um eufemismo para descrever a sua família. O seu pai acreditava no modo de vida à margem da sociedade e, por essa razão, Tara e os irmãos não iam à escola, não iam aos hospitais, trabalhavam desde cedo e cresceram a acreditar num governo dominado pelos Iluminatti e sem saber nada sobre o mundo que os rodeia. Além disto, era violento de um modo psicológico para com os outros e Tara foi agredida fisicamente por um dos irmãos de forma sistemática. Tara decide obter uma educação, mesmo que isso não vá de encontro às ideologias do seu pai e, a partir daqui, esta jornada é qualquer coisa de incrível, pois esta simples miúda de uma família mórmon do Idaho, sem qualquer tipo de educação, consegue chegar a Cambridge e a Oxford, mesmo indo contra tudo e contra todos. É maravilhoso "observar" Tara a desemaranhar-se dos traumas e das marcas deixadas pela sua infância e adolescência para se tornar numa mulher culta, inteligente e bem sucedida.

Este é daqueles livros que tem uma escrita bem fluida e nos magnetiza a cada página, pois dificilmente desviamos o olhar. Acho que é uma história tão inspiradora, que deveria ser obrigatório lê-la, pois acaba por nos fazer valorizar ainda mais a educação, a saúde, o amor-próprio e a família.

E vocês, já leram este livro? E qual a vossa leitura preferida deste ano, até agora? Digam-me tudo nos comentários.


 "Tens de deixar de pensar dessa maneira. Não és ouro falso, daquele que brilha apenas sob uma luz particular. Quem quer que venhas a ser, o que quer que te tornes, foi assim que sempre foste. Esse brilho sempre esteve em ti. Não em Cambridge. Em ti. Tu és ouro. Regressares à BYU, ou até a essa montanha de onde vieste, não mudará quem és. Poderá mudar a forma como os outros te veem, poderá até mudar a forma como te vês a ti mesma - até o ouro parece desprovido de brilho a uma determinada luz -, mas essa é a ilusão. E sempre foi."


Pontuação: 9/10

sábado, 13 de fevereiro de 2021

LIVROS | Um Homem Chamado Ove, Fredrik Backman


Esta leitura foi do mês passado e, tal como já tinha partilhado na publicação anterior, foi a minha leitura preferida do mês.
Trata-se da história de Ove, um homem muito mal-disposto e resmungão, sempre pronto a apontar erros nas outras pessoas e que segue as suas rotinas à risca, pois para ele, uma das coisas mais importante é o cumprimento de regras. Ove sempre foi assim, mas o seu despedimento e a morte da sua esposa tornaram tudo pior. Agora Ove tem o objetivo de se suicidar, pois sente que já nada o prende.
No meio das tentativas de suicídio e de todas as peripécias que Ove vai vivenciando ao longo do livro, muitas personagens vão surgindo e vão introduzindo Ove a diferentes perspetivas e histórias e abrindo os seus horizontes. Ao mesmo tempo vamos descobrindo a história e o passado de Ove, o que nos vai ajudar a criar um grande sentimento de empatia para com este personagem e nos vai fazer perceber o porquê de ser como é.
É uma história que tem tanto de hilariante como de comovente e que é capaz de agradar a qualquer pessoa. Gostei mesmo muito e fiquei cheia de vontade de ler outros livros do autor, cuja escrita me agradou bastante.



“E o tempo é uma coisa curiosa. A maioria de nós vive apenas para o tempo que está à nossa frente. Alguns dias, semanas, anos. Um dos momentos mais dolorosos da vida de uma pessoa provavelmente vem com a perceção de que uma idade foi atingida em que há mais para olhar para o passado do que para o futuro. E quando o tempo não está mais à nossa frente, outras coisas precisam ser vividas. Memórias, talvez. ”


Pontuação: 8/10


domingo, 24 de janeiro de 2021

LIVROS | A Campânula de Vidro, Sylvia Plath

Já há muito tempo que queria ler este livro, pois já tinha visto várias reviews espetaculares acerca desta obra de Sylvia Plath e, por isso, as expetativas eram elevadas. Confesso que me desiludi um pouco. Não me interpretem mal, é uma obra excelente e muito importante acerca de temas como o empoderamento feminino, a saúde mental e os padrões da nossa sociedade, algo que me diz muito e sobre os quais tenho opiniões muito marcadas. No entanto, sinto que foi um pouco difícil criar uma ligação com a protagonista, pois apresenta uma atitude algo fria perante tudo o que lhe acontece.

Esta é uma história autobiográfica, protagonizada por Esther Greenwood, uma jovem de 19 anos, que tem o sonho de ser escritora. Aparenta ter uma vida perfeita planeada. Tem excelentes notas e recebe um convite para ser guesteditor numa famosa revista de moda, durante o verão. Mas as coisas não são bem o que parecem. Ao longo da narrativa podemos observar Esther deixar-se cair numa espiral de depressão e pensamentos suicidas. Tem muitas dificuldades em definir a sua verdadeira identidade e tomar decisões para a sua própria vida, assim como se recusa a viver segundo as normas da sociedade, tais como o facto de os homens terem mais direitos do que as mulheres ou de não ser bem visto pelos outros que uma mulher não queira casar.

Grande parte desta narrativa passa-se em instituições psiquiátricas e sobre como eram tratadas, na altura, as pessoas que sofriam doenças mentais, o que pode ser bastante chocante, para algumas pessoas. Desde lobotomias a choques elétricos, esta obra é também uma crítica a este tipo de tratamentos antiéticos e, na maioria dos casos, ineficazes. Felizmente, a ciência tem evoluído desde essa altura e já existem muitos estudos acerca de novas medicações, entre outro tipo de tratamentos.

De uma forma geral, sinto que este livro nos abre os olhos para algo que penso existir muito em falta, nos dias que correm, que é a empatia. Percebemos com a história de Sylvia Plath que nem tudo o que aparentamos ser demonstra o que realmente pensamos e sentimos e é preciso ter alguma sensibilidade para perceber isso e para perceber que os nossos atos tem repercussões nos outros. De um modo geral, gostei muito deste livro, pelas temáticas abordadas, ainda que tenha defraudado um pouco as minhas expetativas.


“Para a pessoa dentro da campânula de vidro, vazia e imóvel como um bebé morto, o próprio mundo não passa de um sonho mau. ”


Pontuação: 7/10

domingo, 10 de janeiro de 2021

LIVROS | O Fio da Navalha, W. Somerset Maugham

 


Como já tinha dito numa publicação anterior, este foi um dos livros que mais gostei de ler em 2020 e o foi, sem dúvida, o que mais me surpreendeu, pois apesar de ser considerado um clássico, não é dos mais falados e portanto, peguei nele sem grandes expetativas.

Esta é a história de Larry Darrell, um jovem que, após ter sido salvo por um amigo na guerra, começa a questionar o mundo que o rodeia e tudo aquilo em que acredita. Ao recusar viver segundo as convenções impostas pela sociedade, para buscar o sentido da vida, Larry torna-se simultaneamente uma frustração para os que o rodeiam – principalmente para Isabel, a namorada, que lhe exige que arranje um trabalho e se comporte de acordo com as normas da sociedade da época e Elliott, tio desta, que cultiva acima de tudo a aceitação e o prestígio sociais – e a personificação de um ideal de espiritualidade e de não-compromisso.

Bem, é um bocado difícil de fazer a análise deste livro, devido à sua complexidade, pois várias personagens se tornam o foco da leitura, à medida que a história avança. Mas, no fundo, a mensagem que esta história nos transmite é que nunca vamos ter uma resposta para qual é o sentido da vida, até porque o sentido da vida difere de pessoa para pessoa. O protagonista, Larry, é um personagem enigmático e idealista. Passa grande parte deste romance à procura de se encontrar e de perceber qual o seu propósito no mundo. Inclusive viaja para diferentes países e faz uma vasta análise às diferentes religiões, de modo a perceber se alguma delas responde às suas perguntas. Depois temos Isabel, que educada pela sua mãe e pelo seu tio, sempre teve como ideal um homem a seu lado que a amasse e que trabalhasse para poder dar uma boa vida à família. À sua semelhança, o seu tio Elliott, que vive em busca da aprovação externa de outros,  faz tudo em prol daquilo que ficará bem à vista da alta sociedade, personificando o "snobismo". Por sua vez, Gray, amigo de Larry e Isabel, apaixonado por esta última, vive para ter um trabalho que seja seguro e lucrativo. Por fim, acrescento Sophie, amiga de Larry, uma personagem que perde tudo aquilo que mais ama e que, por essa razão, deixa de sentir que tem um sentido para a sua vida. Deste modo, acho que, qualquer leitor se sentirá identificado, quanto mais não seja, por perceber que cada pessoa tem o seu propósito e que não existe certo nem errado, desde que nos mantenhamos fiéis aos nossos próprios princípios e valores.

Um pormenor que achei muito interessante e curioso, foi o facto de o próprio autor deste livro, W. Somerset Maugham, se ter incluído como um dos personagens, tornando-se o narrador destas histórias e o confidente da grande maioria dos personagens.
Gostei imenso da escrita do autor e do modo como conduziu as diferentes histórias e, sobretudo, da mensagem que transmitiu com esta obra. Identifiquei-me com Larry em muitos momentos, o que tornou esta leitura ainda mais especial. 
Fica assim a promessa de ler mais obras deste autor, nomeadamente Servidão Humana, que já ouvi falar muito bem e me deixou muito curiosa.


"Acho que nunca terei paz até me decidir sobre certas coisas. É muito difícil traduzi-lo por palavras. No momento em que se tenta, sentimos vergonha e dizemos a nós próprios: «Quem sou eu para matar a cabeça com isto, aquilo ou aqueloutro? Talvez eu não passe dum pedante, dum convencido. Não seria melhor fazer o que todos fazem e esperar o que a vida me reserva?». E depois pensamos num tipo que uma hora antes estava a rir, cheio de vida, e de repente está morto; é tudo tão cruel, tão sem significado. É difícil não nos questionarmos sobre a essência da vida, sobre se faz algum sentido ou se tudo não passa de um erro trágico dum destino cego."


Pontuação: 8,5/10



domingo, 27 de dezembro de 2020

2020 em Livros // 4 Leituras Favoritas de 2020

Nota: Faltam na fotografia os 2 primeiros livros da saga de Harry Potter, porque os emprestei (Classificação: 7,5/10).

2020 foi de longe o ano que li mais, muito devido à quarentena. Os meses de Março e Abril despertaram esta minha paixão pela leitura e, ao longo do ano, tentei não perder o ritmo. Ao todo, li 17 livros, o que já foi uma superação da meta que tinha apontado de 12 livros. Deixo-vos agora os 4 livros que mais gostei de ler (tendo em conta que foi uma escolha muito difícil, porque consegui ler livros excelentes este ano).


1. Stoner, John Williams

William Stoner nasceu no final do século XIX numa família de agricultores pobres do Missouri. Enviado para a universidade para estudar agronomia, apaixona-se pela literatura inglesa e abraça a vida de um professor académico, tão diferente da existência miserável que tinha conhecido até então. 

No entanto, com o passar dos anos, Stoner encontra uma sucessão de deceções: o casamento sem sucesso, que o afasta dos pais; a sua carreira é "bloqueada" por colegas; a sua mulher e filha afastam-se friamente,...

É uma história tão simples e tão bonita sobre um homem que faz algumas escolhas erradas na vida e que também teve o seu quê de azar, contada de uma forma tão cativante por John Williams. Sobre como o amor aos livros o salvou de momentos de solidão e infelicidade na vida pessoal e profissional. 


2. O Fio da Navalha, W. Somerset Maugham

Este foi o livro que li mais recentemente e talvez o que mais me surpreendeu, pois peguei nele sem qualquer tipo de expetativa. O protagonista é Larry Darrell, um jovem que, após ter sido salvo por um amigo na guerra, começa a questionar o mundo em que vive e tudo aquilo em que acredita. Ao recusar viver segundo as convenções impostas pela sociedade, para buscar o sentido da vida, Larry torna-se simultaneamente uma frustração para os que o rodeiam – principalmente para Isabel, a namorada, que lhe exige que arranje um trabalho e se comporte de acordo com as normas da sociedade da época e Elliott, tio desta, que cultivam acima de tudo a aceitação e o prestígio sociais – e a personificação de um ideal de espiritualidade e não-compromisso.

Mais tarde, publicarei a review completa desta obra aqui no blog.


3. Fahrenheit 451, Ray Bradbury

Bem, se leram a publicação anterior, sabem o quão gostei deste livro e da mensagem que deixa. Retrata no seu melhor a liberdade e o poder que os livros nos concedem. Podem ver a review completa AQUI.


4. Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley

Esta é uma distopia bem ao meu gosto, que tem como principal tema a desumanização dos seres humanos, em que a civilização é dominada pela ciência e tecnologia. Tem como protagonistas Bernard Marx, um homem de uma casta superior, que se sente sozinho e diferente devido ao seu físico inferior e que acredita em diferentes valores daquele que são impostos pela sociedade e também John, o  Selvagem, que é descoberto por Bernard numa Reserva de Selvagens (pessoas que vivem à parte da sociedade) por ter sido fruto de uma relação entre dois membros da sociedade (o que é proibido). Ao ser trazido à civilização por Bernard, John destaca-se pelas suas crenças e comportamentos bastante diferentes dos restantes, pois sente-se revoltado pela desumanização que observa. Achei este livro muito interessante, onde prevalece o seguinte dilema: Estabilidade/Felicidade vs Verdade/Beleza.


E vocês? Quais os livros que gostaram mais de ler este ano?

domingo, 20 de dezembro de 2020

LIVROS | Fahrenheit 451, Ray Bradbury


E como o prometido é devido, aqui estou de volta, para vos apresentar a minha review do livro "Fahrenheit 451". 

Esta é uma história distópica protagonizada por Guy Montag, um bombeiro cuja função é queimar livros, ao invés de apagar fogos. 

Até uma determinada altura, Montag nunca tinha questionado as consequências que as suas ações produzem, permanecendo sempre num estado apático perante a vida que leva e o que o rodeia. Vive num casamento infeliz, com uma mulher que, tal como o resto da população, vive na ignorância e portanto, sem liberdade. É apenas após conhecer Clarisse, uma jovem vizinha excêntrica, que o apresenta a um passado onde as pessoas não viviam com medo e a um presente onde Montag vê o mundo através das ideias dos livros, em vez da conversa irracional da televisão, que este "abre os olhos" e começa a questionar tudo o que sempre conheceu.

Acho que, comparando com outras distopias, nomeadamente 1984 e Admirável Mundo Novo, tem uma escrita bastante mais simples e fluida, não deixando de transmitir ideias igualmente importantes. Penso que a principal mensagem que podemos tirar daqui é que "Conhecimento é Liberdade". Um mundo em que as pessoas não leiam e não se informem e sejam completamente bombardeadas por vários estímulos imediatos provenientes da evolução da tecnologia (como é o caso da televisão ou das redes sociais, hoje em dia), que não lhes dê sequer espaço para pensar, refletir e que lhes diga o que pensar e sentir é um mundo onde, na minha opinião, não vale a pena viver. Identifiquei-me muito com a mensagem deste livro e achei o enredo muito cativante. Acho esta história extremamente importante e atual, pois leva-nos a refletir para onde estamos a ir, com a evolução da tecnologia e da sociedade e sobre a importância do pensamento crítico e do poder e liberdade que nos concede.


"Sabe porque é que livros como este são tão importantes? Porque têm qualidade. E o que significa a palavra «qualidade»? Para mim significa textura. Este livro tem poros. Tem feições. Podíamos analisá-lo ao microscópio , e encontraríamos vida por baixo da lamela, uma profusão de vida em movimento. Quanto mais poros, quantos mais registos dos pequenos pormenores da vida tal como ela é encontramos por centímetro quadrado numa folha de papel, mais «literário» é o texto. Essa é, pelo menos, a minha definição. O pormenor revelador. O pormenor fresco. Os bons escritores tocam muitas vezes a vida. Os medíocres apenas lhe passam a mão pelo pelo. Os maus violam-na e deixam-na para as moscas. Vê agora porque os livros são temidos e odiados? Porque mostram os poros do rosto da vida."



Pontuação: 8,5/10

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

LIVROS | A VIDA MENTIROSA DOS ADULTOS, ELENA FERRANTE



Já acabei de ler este livro há mais de duas semanas, mas só agora vos trago a review:

Este livro retrata o período de transição da infância para a adolescência de Giovanna, uma rapariga italiana que, às escondidas, escuta o seu pai dizer à sua mãe que, a cada dia que passa, Giovanna se parece mais com a sua tia Vittoria. Ao ouvir isto, Giovanna procura conhecer a tão odiada tia Vittoria (de modo a perceber se realmente se está a tornar parecida com ela), na zona mais empobrecida de Nápoles. Ao fazê-lo, descobre uma versão muito diferente dos seus pais e das suas origens, desagregando assim, a sua família intelectual e perfeita, sem que tenha essa intenção.
Ao mover-se entre os dois lados da mesma família e das duas zonas da cidade de Nápoles, Giovanna  conhece outras pessoas, aprende sobre o mundo que a rodeia e cresce em busca de si mesma.

Esta foi a primeira obra que li de Ferrante e confesso que gostei, apesar de sentir que não é o meu estilo literário predileto. Gostei bastante da carga emocional e da intensidade que atribuiu às suas personagens, especialmente às personagens femininas e do modo como consegue perceber e transmitir as peripécias e angústias da fase da adolescência. 
De uma forma geral, posso dizer que gostei bastante da sua escrita e achei o enredo bem construído. No entanto e, foi por isto que digo que não é o meu estilo literário predileto, achei a história muito ao estilo "novela mexicana", ou seja,  por vezes achei que alguns constituintes do enredo foram demasiado dramatizados/romantizados. Recomendo a quem gosta deste tipo de livros, mais contemporâneo e de leitura fluida.

Pontuação: 6,5/10
 

domingo, 15 de novembro de 2020

LIVROS | O ESTRANGEIRO, ALBERT CAMUS


    Já há algum tempo que queria ler Camus e decidi que iria começar por este O Estrangeiro. Esta é a história do argeliano Mersault. É um personagem com o qual é muito difícil de nos identificarmos pois é indiferente a tudo o que lhe acontece e não tem opiniões definidas em relação a nada. Desta forma, Mersault é uma pessoa amoral que se deixa levar pelas circunstâncias da vida, sem ter alguma conexão com alguém.
    Este livro divide-se em duas partes: a primeira tem início com a morte da mãe do personagem principal, com o início de uma relação amorosa com Marie e com o envolvimento com o duvidoso Raymond. Nesta é demonstrada o modo como Mersault vive tudo com indiferença e frieza. É também esta primeira parte que marca a introdução de um acontecimento que vai mudar totalmente o ritmo desta obra e que vai colocar tudo em causa para Mersault.
    A segunda parte é caracterizada pelo confronto de Mersault com o significado da vida e com o absurdismo, que se refere ao "conflito entre a tendência humana de buscar significado inerente à vida e a inabilidade humana para encontrá-lo num universo sem propósito, sem significado ou caótico e irracional." É nesta segunda parte que, após um acontecimento mirabolante, tudo é posto em causa na vida do personagem principal.
    Camus é, sem qualquer dúvida, exímio ao descrever as sensações e paisagens mencionadas na obra e, ao ler, quase conseguimos sentir o calor e observar as cores quentes que enquadram esta obra.
    Acho que este livro é daqueles que exige uma vasta reflexão sobre toda a temática nele abordada e é muito mais complexo do que aparenta, pois Camus é conhecido pela sua filosofia existencialista. 
    Apesar de ter gostado, sinto que não adorei, muito devido ao facto de estar à espera de algo diferente antes de o ler e por ter as expetativas demasiado elevadas, pois foi-me muito recomendado por pessoas com um gosto literário semelhante ao meu. Além disto, sinto que por o livro ser tão pequeno (tem menos de 100 páginas), não consegui criar uma grande ligação com a história. No entanto, é um livro que recomendo a toda a gente, pois não deixa de ser um livro excelente, com uma grande mensagem por trás.


“Assaltaram-me as recordações de uma vida que já não me pertencia, mas onde encontrara as mais pobres e as mais tenazes das minhas alegrias: odores do verão, do bairro que eu amava, um certo céu ao anoitecer, o riso e os vestidos de Marie. Tudo quanto neste lugar eu fazia de inútil subiu-me então à garganta e só tive uma pressa: acabar depressa com isto e voltar à minha cela, onde ia poder dormir.”


7/10 ⭐

domingo, 1 de novembro de 2020

LIVROS | A EDUCAÇÃO DE ELEANOR, Gail Honeyman



É com muito gosto que regresso a este meu cantinho virtual com uma publicação relacionada com um tema que cada vez mais me tem apaixonado nos últimos tempos, especialmente desde o início do período de isolamento: a leitura.

Este livro é sobre Eleanor Oliphant: uma rapariga solitária e extremamente peculiar, pouco dotada no que diz respeito à interação social. Vive somente para o trabalho, para a vodka e para as conversas telefónicas semanais com a mãe, até que tudo muda ao conhecer Raymond, um colega de trabalho e Sammy, um senhor idoso que perde os sentidos na rua.

Esta personagem principal é sem dúvida extremamente cativante e aquilo que nos prende ao livro. Eleanor diz o que pensa e, mesmo que não nos identifiquemos com as suas ideias ou opiniões, é impossível não nutrir um grande sentimento de empatia para com ela. Ao longo da leitura, vamos desvendando cada vez mais camadas desta personagem, a cada nova experiência sua, o que faz com que a compreendamos de um ponto de vista completamente diferente e maravilhoso. Através das novas vivências, Eleanor vai-se apercebendo que não se quer contentar com uma vida banal como a que tinha levado até então.

É uma obra cuja escrita é muito acessível, mas é necessária alguma atenção pois as informações mais importantes encontram-se nos pequenos detalhes e é este um dos fatores que me fez gostar tanto de A Educação de Eleanor (EN: Eleanor Oliphant Is Completely Fine).


"A minha vida, apercebi-me, tinha corrido mal. Muito, muito mal. Eu não devia estar a viver assim. Ninguém devia viver assim. O problema, pura e simplesmente, era que não sabia o que fazer para mudar. (...) Não conseguia resolver o puzzle de mim."


7/10 ⭐

sábado, 14 de janeiro de 2017

Top 3 livros preferidos | Arte & Cultura


Hoje trago-vos um tema diferente, como já tinha anunciado na publicação anterior. O tema desta publicação é algo que me é muito querido. Vou dar-vos a conhecer um pouco sobre os meus 3 livros preferidos. Claro que tenho vários e foi difícil de escolher, mas estes são aqueles que realmente me marcaram mais.

3. Different Seasons (Estações Diferentes) , Stephen King

Stephen King é um autor bastante conhecido pelos seus livros de terror fantástico e ficção, como por exemplo Carrie ou The Shining. Se estes nomes não vos são estranhos, é porque já devem ter visto ou, pelo menos ouvido falar destas adaptações cinematográficas. E foi mesmo por esta razão que descobri este livro, que conta com 4 histórias diferentes (daí o título), pois 2 dos meus filmes preferidos são 2 das histórias contadas por King nesta obra. São elas: 
Condenados de Shawshank - Esta é a história de um homem que é preso inocentemente e retrata a sua experiência na prisão, assim como a sua tentativa de fuga;
O Aluno Dotado - Esta foi a história do livro que mais me intrigou, por ser algo tão diferente e inesperado, em relação ao que costumo ler. Trata-se de um rapaz que sempre teve um comportamento exemplar, mas que após conhecer um homem idoso e descobrir o seu passado sombrio, o chantageia e desafia a despertar consigo todo o mal que nele existia e que estava há muito tempo enterrado;
O Corpo (adaptado ao cinema com o título Stand By Me) - Uma história sobre como a amizade é mais especial quando se é um miúdo de 12 anos em busca de aventura com os seus 3 melhores amigos. 
A Técnica da Respiração - Esta é uma história macabra sobre uma mulher que está disposta a dar à luz o seu filho, mesmo que para isso o tenha de o manter vivo nas condições mais extraordinárias.

O livro está muito bem escrito e as histórias são muito envolventes, não nos deixando desviar o olhar do livro, enquanto não tivermos acabado de o ler. O que destaco mais desta obra são, sem dúvida, as personagens, que são descritas com grande detalhe e dei por mim a tentar perceber o seu modo de agir e pensar, o que torna esta experiência de leitura muito especial.

2. The Catcher in the Rye (À Espera no Centeio), J. D. Salinger
Deixa-me tão feliz saber que estou a partilhar esta história com alguém, porque este foi um dos livros que mais marcou a minha adolescência e é uma história com a qual sempre me vou identificar e que me faz relativizar o que realmente importa. Aborda temas como a alienação, o sofrimento que sentimos enquanto crescemos, a falsidade do mundo adulto, a solidão e o início de relacionamentos e da sexualidade na adolescência.
No fundo, The Catcher in the Rye é um clássico americano que conta a história de um miúdo de 16 anos que se sente perdido, sem saber dar rumo ao seu futuro. Apesar de ser um rapaz inteligente e sensível, Holden Caulfield narra a história com um tom aborrecido e cínico. Após ser expulso do seu quarto colégio, este embarca numa aventura inesperada, onde conhece várias pessoas diferentes e passa por experiências que nunca imaginou.
O que realmente torna este livro tão especial e único é o facto de qualquer que seja a idade, sexo ou personalidade de quem esteja a ler, todas as pessoas se podem identificar com este personagem icónico, que apenas se quer descobrir a si próprio, descobrindo o mundo à sua volta.

1. 1984, George Orwell

1984 é aquele livro que, na minha opinião, devia estar na lista de "Livros a ler antes de morrer" de qualquer pessoa. Quando o li, passei tanto tempo a pensar nele, em todos os pormenores e a tentar arranjar uma explicação na minha cabeça para o que tinha acabado de ler. É uma história tão complexa mas que nos permite tirar conclusões tão simples. Aquilo que tirei deste livro foi que na vida, existe uma infinidade de coisas que não conseguimos controlar mas que ainda assim, podemos tentar dar a volta por cima. Que se nos forçarmos a acreditar em algo e o repetirmos na nossa mente, conseguimos acreditar. Que mesmo que lutemos para alcançar um objetivo de bem maior, nem tudo é possível, pois muitas vezes, existe alguém com mais poder ou malícia que vai fazer de tudo para nos parar. Que nem tudo é o que parece e que as pessoas fingem ser o que não são para obter algo em troca.
Esta é a história de um mundo utópico em que o governo é constituído por um poder totalitário perfeito em que a revolta é impossível, e cujo lema é:

 "Guerra é paz,
Liberdade é escravidão
Ignorância é força."

As pessoas são vigiadas por câmeras de vigilância, incluindo nas suas próprias casas e são dominadas pelo "duplipensar" que é o termo que explica o facto de apesar de as pessoas saberem que algo não aconteceu, se o "Big Brother" (líder do Partido) diz que aconteceu, têm de acreditar mesmo sabendo que não é verdade. O mesmo termo que pode fazer qualquer um acreditar que 2+2=5, pelo simples facto de o repetirem nas suas mentes.
O protagonista desta história é Winston, um funcionário do Ministério da Verdade, da Oceania. Winston era um homem indiferente à sociedade totalitária em que vivia mas, após ter encontrado o seu grande amor em Julia e ter sido incentivado por O'Brien (um membro do Partido Interno com quem Winston simpatizava), passou a revoltar-se contra o Partido e ter as suas próprias opiniões. Winston vive esta grande aventura, de viver por si e não por quem se encontra no poder, para aprender a maior lição da sua vida.
Este é o meu livro preferido pela intensidade da escrita e dos personagens, que são tão envolventes e pela história que nos deixa tão revoltados quanto o próprio Winston.


Espero que tenham gostado desta publicação, pois já há muito tempo queria partilhar este tema convosco. Se quiserem deixar nos comentários, digam qual destes três livros vos deu mais vontade de ler e sugestões de livros que tenham adorado.