LIVROS | O Fio da Navalha, W. Somerset Maugham

 


Como já tinha dito numa publicação anterior, este foi um dos livros que mais gostei de ler em 2020 e o foi, sem dúvida, o que mais me surpreendeu, pois apesar de ser considerado um clássico, não é dos mais falados e portanto, peguei nele sem grandes expetativas.

Esta é a história de Larry Darrell, um jovem que, após ter sido salvo por um amigo na guerra, começa a questionar o mundo que o rodeia e tudo aquilo em que acredita. Ao recusar viver segundo as convenções impostas pela sociedade, para buscar o sentido da vida, Larry torna-se simultaneamente uma frustração para os que o rodeiam – principalmente para Isabel, a namorada, que lhe exige que arranje um trabalho e se comporte de acordo com as normas da sociedade da época e Elliott, tio desta, que cultiva acima de tudo a aceitação e o prestígio sociais – e a personificação de um ideal de espiritualidade e de não-compromisso.

Bem, é um bocado difícil de fazer a análise deste livro, devido à sua complexidade, pois várias personagens se tornam o foco da leitura, à medida que a história avança. Mas, no fundo, a mensagem que esta história nos transmite é que nunca vamos ter uma resposta para qual é o sentido da vida, até porque o sentido da vida difere de pessoa para pessoa. O protagonista, Larry, é um personagem enigmático e idealista. Passa grande parte deste romance à procura de se encontrar e de perceber qual o seu propósito no mundo. Inclusive viaja para diferentes países e faz uma vasta análise às diferentes religiões, de modo a perceber se alguma delas responde às suas perguntas. Depois temos Isabel, que educada pela sua mãe e pelo seu tio, sempre teve como ideal um homem a seu lado que a amasse e que trabalhasse para poder dar uma boa vida à família. À sua semelhança, o seu tio Elliott, que vive em busca da aprovação externa de outros,  faz tudo em prol daquilo que ficará bem à vista da alta sociedade, personificando o "snobismo". Por sua vez, Gray, amigo de Larry e Isabel, apaixonado por esta última, vive para ter um trabalho que seja seguro e lucrativo. Por fim, acrescento Sophie, amiga de Larry, uma personagem que perde tudo aquilo que mais ama e que, por essa razão, deixa de sentir que tem um sentido para a sua vida. Deste modo, acho que, qualquer leitor se sentirá identificado, quanto mais não seja, por perceber que cada pessoa tem o seu propósito e que não existe certo nem errado, desde que nos mantenhamos fiéis aos nossos próprios princípios e valores.

Um pormenor que achei muito interessante e curioso, foi o facto de o próprio autor deste livro, W. Somerset Maugham, se ter incluído como um dos personagens, tornando-se o narrador destas histórias e o confidente da grande maioria dos personagens.
Gostei imenso da escrita do autor e do modo como conduziu as diferentes histórias e, sobretudo, da mensagem que transmitiu com esta obra. Identifiquei-me com Larry em muitos momentos, o que tornou esta leitura ainda mais especial. 
Fica assim a promessa de ler mais obras deste autor, nomeadamente Servidão Humana, que já ouvi falar muito bem e me deixou muito curiosa.


"Acho que nunca terei paz até me decidir sobre certas coisas. É muito difícil traduzi-lo por palavras. No momento em que se tenta, sentimos vergonha e dizemos a nós próprios: «Quem sou eu para matar a cabeça com isto, aquilo ou aqueloutro? Talvez eu não passe dum pedante, dum convencido. Não seria melhor fazer o que todos fazem e esperar o que a vida me reserva?». E depois pensamos num tipo que uma hora antes estava a rir, cheio de vida, e de repente está morto; é tudo tão cruel, tão sem significado. É difícil não nos questionarmos sobre a essência da vida, sobre se faz algum sentido ou se tudo não passa de um erro trágico dum destino cego."


Pontuação: 8,5/10




Fotografias Que Mais Gostei de Tirar Em 2020

Devido ao período de confinamento, não consegui concretizar grande parte das minhas ideias, no que toca à fotografia e, espero que em 2021 isso mude. Ainda assim, orgulho-me de ter conseguido pôr em prática alguns dos planos que tinha, nomeadamente a publicação que fiz acerca de saúde mental, pois achei que nunca fez tanto sentido e por ter sido uma ideia que já tinha há algum tempo e finalmente consegui realizar essa publicação. Deixo então, aqui, um resumo de algumas das fotos que mais gostei de tirar em 2020, na esperança de, em 2021, conseguir aprender mais sobre fotografia e conseguir ter e concretizar ideias mais inovadoras e bonitas.




Qual a vossa preferida? Dêem a vossa opinião nos comentários!








2020 em Livros // 4 Leituras Favoritas de 2020

Nota: Faltam na fotografia os 2 primeiros livros da saga de Harry Potter, porque os emprestei (Classificação: 7,5/10).

2020 foi de longe o ano que li mais, muito devido à quarentena. Os meses de Março e Abril despertaram esta minha paixão pela leitura e, ao longo do ano, tentei não perder o ritmo. Ao todo, li 17 livros, o que já foi uma superação da meta que tinha apontado de 12 livros. Deixo-vos agora os 4 livros que mais gostei de ler (tendo em conta que foi uma escolha muito difícil, porque consegui ler livros excelentes este ano).


1. Stoner, John Williams

William Stoner nasceu no final do século XIX numa família de agricultores pobres do Missouri. Enviado para a universidade para estudar agronomia, apaixona-se pela literatura inglesa e abraça a vida de um professor académico, tão diferente da existência miserável que tinha conhecido até então. 

No entanto, com o passar dos anos, Stoner encontra uma sucessão de deceções: o casamento sem sucesso, que o afasta dos pais; a sua carreira é "bloqueada" por colegas; a sua mulher e filha afastam-se friamente,...

É uma história tão simples e tão bonita sobre um homem que faz algumas escolhas erradas na vida e que também teve o seu quê de azar, contada de uma forma tão cativante por John Williams. Sobre como o amor aos livros o salvou de momentos de solidão e infelicidade na vida pessoal e profissional. 


2. O Fio da Navalha, W. Somerset Maugham

Este foi o livro que li mais recentemente e talvez o que mais me surpreendeu, pois peguei nele sem qualquer tipo de expetativa. O protagonista é Larry Darrell, um jovem que, após ter sido salvo por um amigo na guerra, começa a questionar o mundo em que vive e tudo aquilo em que acredita. Ao recusar viver segundo as convenções impostas pela sociedade, para buscar o sentido da vida, Larry torna-se simultaneamente uma frustração para os que o rodeiam – principalmente para Isabel, a namorada, que lhe exige que arranje um trabalho e se comporte de acordo com as normas da sociedade da época e Elliott, tio desta, que cultivam acima de tudo a aceitação e o prestígio sociais – e a personificação de um ideal de espiritualidade e não-compromisso.

Mais tarde, publicarei a review completa desta obra aqui no blog.


3. Fahrenheit 451, Ray Bradbury

Bem, se leram a publicação anterior, sabem o quão gostei deste livro e da mensagem que deixa. Retrata no seu melhor a liberdade e o poder que os livros nos concedem. Podem ver a review completa AQUI.


4. Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley

Esta é uma distopia bem ao meu gosto, que tem como principal tema a desumanização dos seres humanos, em que a civilização é dominada pela ciência e tecnologia. Tem como protagonistas Bernard Marx, um homem de uma casta superior, que se sente sozinho e diferente devido ao seu físico inferior e que acredita em diferentes valores daquele que são impostos pela sociedade e também John, o  Selvagem, que é descoberto por Bernard numa Reserva de Selvagens (pessoas que vivem à parte da sociedade) por ter sido fruto de uma relação entre dois membros da sociedade (o que é proibido). Ao ser trazido à civilização por Bernard, John destaca-se pelas suas crenças e comportamentos bastante diferentes dos restantes, pois sente-se revoltado pela desumanização que observa. Achei este livro muito interessante, onde prevalece o seguinte dilema: Estabilidade/Felicidade vs Verdade/Beleza.


E vocês? Quais os livros que gostaram mais de ler este ano?


LIVROS | Fahrenheit 451, Ray Bradbury


E como o prometido é devido, aqui estou de volta, para vos apresentar a minha review do livro "Fahrenheit 451"

Esta é uma história distópica protagonizada por Guy Montag, um bombeiro cuja função é queimar livros, ao invés de apagar fogos. 

Até uma determinada altura, Montag nunca tinha questionado as consequências que as suas ações produzem, permanecendo sempre num estado apático perante a vida que leva e o que o rodeia. Vive num casamento infeliz, com uma mulher que, tal como o resto da população, vive na ignorância e portanto, sem liberdade. É apenas após conhecer Clarisse, uma jovem vizinha excêntrica, que o apresenta a um passado onde as pessoas não viviam com medo e a um presente onde Montag vê o mundo através das ideias dos livros, em vez da conversa irracional da televisão, que este "abre os olhos" e começa a questionar tudo o que sempre conheceu.

Acho que, comparando com outras distopias, nomeadamente 1984 e Admirável Mundo Novo, tem uma escrita bastante mais simples e fluida, não deixando de transmitir ideias igualmente importantes. Penso que a principal mensagem que podemos tirar daqui é que "Conhecimento é Liberdade". Um mundo em que as pessoas não leiam e não se informem e sejam completamente bombardeadas por vários estímulos imediatos provenientes da evolução da tecnologia (como é o caso da televisão ou das redes sociais, hoje em dia), que não lhes dê sequer espaço para pensar, refletir e que lhes diga o que pensar e sentir é um mundo onde, na minha opinião, não vale a pena viver. Identifiquei-me muito com a mensagem deste livro e achei o enredo muito cativante. Acho esta história extremamente importante e atual, pois leva-nos a refletir para onde estamos a ir, com a evolução da tecnologia e da sociedade e sobre a importância do pensamento crítico e do poder e liberdade que nos concede.


"Sabe porque é que livros como este são tão importantes? Porque têm qualidade. E o que significa a palavra «qualidade»? Para mim significa textura. Este livro tem poros. Tem feições. Podíamos analisá-lo ao microscópio , e encontraríamos vida por baixo da lamela, uma profusão de vida em movimento. Quanto mais poros, quantos mais registos dos pequenos pormenores da vida tal como ela é encontramos por centímetro quadrado numa folha de papel, mais «literário» é o texto. Essa é, pelo menos, a minha definição. O pormenor revelador. O pormenor fresco. Os bons escritores tocam muitas vezes a vida. Os medíocres apenas lhe passam a mão pelo pelo. Os maus violam-na e deixam-na para as moscas. Vê agora porque os livros são temidos e odiados? Porque mostram os poros do rosto da vida."



Pontuação: 8,5/10


Favoritos de Novembro


E assim, de repente, chegámos ao último mês do ano. E que ano estranho, este! Foi sem dúvida um ano de muito tempo passado em casa , de novos hábitos, de muitas mudanças e alguma ansiedade. Sinto que foi um ano que me marcou também (além do óbvio) pela arte e cultura, pois sinto que muita gente se refugiou nos filmes, nas séries, nos livros, na comédia e na arte, de forma geral, para se evadir, para passar o tempo ou para ultrapassar os momentos de maior stress, o que deu para realmente entender o seu verdadeiro poder e a importância que tem nas nossas vidas. Mas falemos de Novembro e daqueles que foram os meus favoritos deste mês!



Filmes e Séries

Queen's Gambit

Bem, acho que isto não é novidade para ninguém. Quem ainda não viu, já de certeza ouviu falar, pois esta série esteve durante imenso tempo no top de séries mais vistas da Netflix e foi super comentada nas redes sociais.

Esta é a história de Beth, uma rapariga que, com a morte da mãe, vai viver para um orfanato, onde são dados calmantes às crianças e Beth ganha uma adição aos mesmos. Neste mesmo orfanato, conhece Mr. Shaibel, um homem que trabalha no orfanato e que a ensina a jogar xadrez. Beth torna-se num prodígio deste jogo e luta para se tornar a melhor de sempre.

Tal como a maioria das pessoas, rendi-me completamente a este enredo super cativante, ao elenco (a Anya Taylor-Joy fez uma interpretação muito peculiar e, ao mesmo tempo, soberba da Beth), já para não falar dos cenários e guarda-roupa. Garanto-vos que vão acabar esta série a querer aprender jogar xadrez!


Livros e afins

Fahrenheit 451

Este era o último livro que me faltava ler da tríade de distopias (conjuntamente com Admirável Mundo Novo e 1984) e fiquei completamente rendida a esta obra. Em Fahrenheit 451, o protagonista é um bombeiro, que vivendo num mundo alternativo/futurista, ao invés de apagar fogos, tem como principal função queimar livros. Acho que se conseguem tirar reflexões realmente espetaculares desta obra, mas mais não vos digo, pois a minha próxima publicação vai ser precisamente a review deste livro, por isso, se ficaram curiosos, estejam atentos ao blog.


Marcadores de Livros "Olha o que eu já li"

Há já muitos anos que coleciono marcadores de livros e, quando viajo, é aquela coisa que passo o tempo todo à procura ao visitar lojas de souvenirs. Este mês adorei usar os marcadores que adquiri numa página de instagram que se chama @olhaoqueeujali. Na realidade, ganhei 5 deles num giveaway, mas entretanto já encomendei mais. Além de serem esteticamente muito giros, a Bárbara apresenta uma enorme variedade de temas, desde leitura, a animais, a música, filmes ou séries. Recomendo muito.


Aplicações

Masterclass


Já tinha descoberto a Masterclass há vários meses mas ainda não me tinha dignado a usar, visto ser um bocado cara e eu não ter a certeza se valia a pena. Neste mês de Novembro decidi arriscar e não me arrependo nada. Para quem não faz ideia do que estou a falar, esta é uma aplicação que nos permite assistir a várias masterclasses das mais diversas áreas, desde escrita, cozinha, fotografia, economia, desporto, entre muitos outros temas, dadas por pessoas bastante conhecidas e especializadas nas mais diversas áreas. Neste momento, tenho estado a fazer a masterclass de fotografia da Annie Leibovitz, umas das melhores retratistas de sempre e uma das minhas fotógrafas preferidas e estou a gostar imenso. Não só estou a adorar saber a história dela e de como conseguiu alcançar o patamar em que se encontra, mas sinto que estou a aprender imenso e que várias das histórias dela me inspiram e dão ideias para aplicar nas minhas próprias fotografias. Se estiverem dispostos a experimentar, acho mesmo que não se vão arrepender.


Skincare

Yves Rocher

Foi também neste mês de Novembro que experimentei alguns produtos da Yves Rocher que me foram oferecidos e gostei muito. Todos cheiram extremamente bem e cumprem o seu propósito, em especial o exfoliante que achei que resultou especialmente bem na minha pele. 


Outros...

Velas Zara Home


Já tenho o hábito de comprar velas perfumadas há algum tempo, pois não só transmitem uma vibe muito cozy, como dão um cheiro espetacular à casa. Este mês as velas que usei foram estas e gostei, especialmente, do cheiro de White Jasmine. Existem em vários tamanhos, por isso se não estiverem dispostos a gastar muito dinheiro numa vela, há em tamanhos pequenos, que são muito mais em conta e têm uma boa duração.

E vocês, quais foram os vossos favoritos do mês passado? Partilhem comigo nos comentários e digam-me o que gostaram mais :)


LIVROS | A VIDA MENTIROSA DOS ADULTOS, ELENA FERRANTE



Já acabei de ler este livro há mais de duas semanas, mas só agora vos trago a review:

Este livro retrata o período de transição da infância para a adolescência de Giovanna, uma rapariga italiana que, às escondidas, escuta o seu pai dizer à sua mãe que, a cada dia que passa, Giovanna se parece mais com a sua tia Vittoria. Ao ouvir isto, Giovanna procura conhecer a tão odiada tia Vittoria (de modo a perceber se realmente se está a tornar parecida com ela), na zona mais empobrecida de Nápoles. Ao fazê-lo, descobre uma versão muito diferente dos seus pais e das suas origens, desagregando assim, a sua família intelectual e perfeita, sem que tenha essa intenção.
Ao mover-se entre os dois lados da mesma família e das duas zonas da cidade de Nápoles, Giovanna  conhece outras pessoas, aprende sobre o mundo que a rodeia e cresce em busca de si mesma.

Esta foi a primeira obra que li de Ferrante e confesso que gostei, apesar de sentir que não é o meu estilo literário predileto. Gostei bastante da carga emocional e da intensidade que atribuiu às suas personagens, especialmente às personagens femininas e do modo como consegue perceber e transmitir as peripécias e angústias da fase da adolescência. 
De uma forma geral, posso dizer que gostei bastante da sua escrita e achei o enredo bem construído. No entanto e, foi por isto que digo que não é o meu estilo literário predileto, achei a história muito ao estilo "novela mexicana", ou seja,  por vezes achei que alguns constituintes do enredo foram demasiado dramatizados/romantizados. Recomendo a quem gosta deste tipo de livros, mais contemporâneo e de leitura fluida.

Pontuação: 6,5/10
 


Easy Like Sunday Morning | Fotografia


Tendo em conta que este fim-de-semana não pude sair para mais lado nenhum devido ao confinamento, aproveitei um terreno isolado que tenho muito perto de minha casa para tirar algumas fotografias muito descontraídas e flowy com a minha irmã. Este é o resultado final, espero que gostem.


LIVROS | O ESTRANGEIRO, ALBERT CAMUS


    Já há algum tempo que queria ler Camus e decidi que iria começar por este O Estrangeiro. Esta é a história do argeliano Mersault. É um personagem com o qual é muito difícil de nos identificarmos pois é indiferente a tudo o que lhe acontece e não tem opiniões definidas em relação a nada. Desta forma, Mersault é uma pessoa amoral que se deixa levar pelas circunstâncias da vida, sem ter alguma conexão com alguém.
    Este livro divide-se em duas partes: a primeira tem início com a morte da mãe do personagem principal, com o início de uma relação amorosa com Marie e com o envolvimento com o duvidoso Raymond. Nesta é demonstrada o modo como Mersault vive tudo com indiferença e frieza. É também esta primeira parte que marca a introdução de um acontecimento que vai mudar totalmente o ritmo desta obra e que vai colocar tudo em causa para Mersault.
    A segunda parte é caracterizada pelo confronto de Mersault com o significado da vida e com o absurdismo, que se refere ao "conflito entre a tendência humana de buscar significado inerente à vida e a inabilidade humana para encontrá-lo num universo sem propósito, sem significado ou caótico e irracional." É nesta segunda parte que, após um acontecimento mirabolante, tudo é posto em causa na vida do personagem principal.
    Camus é, sem qualquer dúvida, exímio ao descrever as sensações e paisagens mencionadas na obra e, ao ler, quase conseguimos sentir o calor e observar as cores quentes que enquadram esta obra.
    Acho que este livro é daqueles que exige uma vasta reflexão sobre toda a temática nele abordada e é muito mais complexo do que aparenta, pois Camus é conhecido pela sua filosofia existencialista. 
    Apesar de ter gostado, sinto que não adorei, muito devido ao facto de estar à espera de algo diferente antes de o ler e por ter as expetativas demasiado elevadas, pois foi-me muito recomendado por pessoas com um gosto literário semelhante ao meu. Além disto, sinto que por o livro ser tão pequeno (tem menos de 100 páginas), não consegui criar uma grande ligação com a história. No entanto, é um livro que recomendo a toda a gente, pois não deixa de ser um livro excelente, com uma grande mensagem por trás.


“Assaltaram-me as recordações de uma vida que já não me pertencia, mas onde encontrara as mais pobres e as mais tenazes das minhas alegrias: odores do verão, do bairro que eu amava, um certo céu ao anoitecer, o riso e os vestidos de Marie. Tudo quanto neste lugar eu fazia de inútil subiu-me então à garganta e só tive uma pressa: acabar depressa com isto e voltar à minha cela, onde ia poder dormir.”


7/10 

WHAT YOU DON'T SEE | Fotografia



"Sometimes you climb out of bed in the morning and you think, I'm not going to make 
it, but you laugh inside - remembering all the times you've felt that way."






 
Sinto que falar acerca de Saúde Mental tem sido uma constante nas redes sociais ultimamente e, no entanto, ainda não é suficiente. Nos dias que correm, em especial por vivermos em ambiente de pandemia e com todas as restrições que lhe são associadas, a nossa saúde mental encontra-se cada vez mais debilitada. E é necessário desmistificar este tema, pois ainda há muita gente com vergonha de admitir que sofre de uma doença mental e que tende a esconder. Mas a verdade é que a saúde mental é tão importante como a saúde física. O problema é que quando temos ansiedade ou depressão ou sentimos insegurança ou falta de auto-estima, muitas vezes não é visível aos olhos dos outros. Gostaria de, com esta publicação, alertar para o aumento de empatia e generosidade, especialmente por parte de quem nunca passou por um problema deste género, pois muitas vezes aquilo que parece preguiça ou desinteresse é só alguém a tentar ultrapassar um dia mau da melhor maneira que consegue. Tentem falar com as pessoas, perceber o que sentem, tentem colocar-se no lugar uns dos outros e entreajudarem-se. Isto é essencial.


LIVROS | A EDUCAÇÃO DE ELEANOR, Gail Honeyman



É com muito gosto que regresso a este meu cantinho virtual com uma publicação relacionada com um tema que cada vez mais me tem apaixonado nos últimos tempos, especialmente desde o início do período de isolamento: a leitura.

Este livro é sobre Eleanor Oliphant: uma rapariga solitária e extremamente peculiar, pouco dotada no que diz respeito à interação social. Vive somente para o trabalho, para a vodka e para as conversas telefónicas semanais com a mãe, até que tudo muda ao conhecer Raymond, um colega de trabalho e Sammy, um senhor idoso que perde os sentidos na rua.

Esta personagem principal é sem dúvida extremamente cativante e aquilo que nos prende ao livro. Eleanor diz o que pensa e, mesmo que não nos identifiquemos com as suas ideias ou opiniões, é impossível não nutrir um grande sentimento de empatia para com ela. Ao longo da leitura, vamos desvendando cada vez mais camadas desta personagem, a cada nova experiência sua, o que faz com que a compreendamos de um ponto de vista completamente diferente e maravilhoso. Através das novas vivências, Eleanor vai-se apercebendo que não se quer contentar com uma vida banal como a que tinha levado até então.

É uma obra cuja escrita é muito acessível, mas é necessária alguma atenção pois as informações mais importantes encontram-se nos pequenos detalhes e é este um dos fatores que me fez gostar tanto de A Educação de Eleanor (EN: Eleanor Oliphant Is Completely Fine).


"A minha vida, apercebi-me, tinha corrido mal. Muito, muito mal. Eu não devia estar a viver assim. Ninguém devia viver assim. O problema, pura e simplesmente, era que não sabia o que fazer para mudar. (...) Não conseguia resolver o puzzle de mim."


7/10 ⭐