terça-feira, 1 de dezembro de 2020

LIVROS | A VIDA MENTIROSA DOS ADULTOS, ELENA FERRANTE



Já acabei de ler este livro há mais de duas semanas, mas só agora vos trago a review:

Este livro retrata o período de transição da infância para a adolescência de Giovanna, uma rapariga italiana que, às escondidas, escuta o seu pai dizer à sua mãe que, a cada dia que passa, Giovanna se parece mais com a sua tia Vittoria. Ao ouvir isto, Giovanna procura conhecer a tão odiada tia Vittoria (de modo a perceber se realmente se está a tornar parecida com ela), na zona mais empobrecida de Nápoles. Ao fazê-lo, descobre uma versão muito diferente dos seus pais e das suas origens, desagregando assim, a sua família intelectual e perfeita, sem que tenha essa intenção.
Ao mover-se entre os dois lados da mesma família e das duas zonas da cidade de Nápoles, Giovanna  conhece outras pessoas, aprende sobre o mundo que a rodeia e cresce em busca de si mesma.

Esta foi a primeira obra que li de Ferrante e confesso que gostei, apesar de sentir que não é o meu estilo literário predileto. Gostei bastante da carga emocional e da intensidade que atribuiu às suas personagens, especialmente às personagens femininas e do modo como consegue perceber e transmitir as peripécias e angústias da fase da adolescência. 
De uma forma geral, posso dizer que gostei bastante da sua escrita e achei o enredo bem construído. No entanto e, foi por isto que digo que não é o meu estilo literário predileto, achei a história muito ao estilo "novela mexicana", ou seja,  por vezes achei que alguns constituintes do enredo foram demasiado dramatizados/romantizados. Recomendo a quem gosta deste tipo de livros, mais contemporâneo e de leitura fluida.

Pontuação: 6,5/10
 

domingo, 22 de novembro de 2020

Easy Like Sunday Morning | Fotografia


Tendo em conta que este fim-de-semana não pude sair para mais lado nenhum devido ao confinamento, aproveitei um terreno isolado que tenho muito perto de minha casa para tirar algumas fotografias muito descontraídas e flowy com a minha irmã. Este é o resultado final, espero que gostem.

domingo, 15 de novembro de 2020

LIVROS | O ESTRANGEIRO, ALBERT CAMUS


    Já há algum tempo que queria ler Camus e decidi que iria começar por este O Estrangeiro. Esta é a história do argeliano Mersault. É um personagem com o qual é muito difícil de nos identificarmos pois é indiferente a tudo o que lhe acontece e não tem opiniões definidas em relação a nada. Desta forma, Mersault é uma pessoa amoral que se deixa levar pelas circunstâncias da vida, sem ter alguma conexão com alguém.
    Este livro divide-se em duas partes: a primeira tem início com a morte da mãe do personagem principal, com o início de uma relação amorosa com Marie e com o envolvimento com o duvidoso Raymond. Nesta é demonstrada o modo como Mersault vive tudo com indiferença e frieza. É também esta primeira parte que marca a introdução de um acontecimento que vai mudar totalmente o ritmo desta obra e que vai colocar tudo em causa para Mersault.
    A segunda parte é caracterizada pelo confronto de Mersault com o significado da vida e com o absurdismo, que se refere ao "conflito entre a tendência humana de buscar significado inerente à vida e a inabilidade humana para encontrá-lo num universo sem propósito, sem significado ou caótico e irracional." É nesta segunda parte que, após um acontecimento mirabolante, tudo é posto em causa na vida do personagem principal.
    Camus é, sem qualquer dúvida, exímio ao descrever as sensações e paisagens mencionadas na obra e, ao ler, quase conseguimos sentir o calor e observar as cores quentes que enquadram esta obra.
    Acho que este livro é daqueles que exige uma vasta reflexão sobre toda a temática nele abordada e é muito mais complexo do que aparenta, pois Camus é conhecido pela sua filosofia existencialista. 
    Apesar de ter gostado, sinto que não adorei, muito devido ao facto de estar à espera de algo diferente antes de o ler e por ter as expetativas demasiado elevadas, pois foi-me muito recomendado por pessoas com um gosto literário semelhante ao meu. Além disto, sinto que por o livro ser tão pequeno (tem menos de 100 páginas), não consegui criar uma grande ligação com a história. No entanto, é um livro que recomendo a toda a gente, pois não deixa de ser um livro excelente, com uma grande mensagem por trás.


“Assaltaram-me as recordações de uma vida que já não me pertencia, mas onde encontrara as mais pobres e as mais tenazes das minhas alegrias: odores do verão, do bairro que eu amava, um certo céu ao anoitecer, o riso e os vestidos de Marie. Tudo quanto neste lugar eu fazia de inútil subiu-me então à garganta e só tive uma pressa: acabar depressa com isto e voltar à minha cela, onde ia poder dormir.”


7/10 ⭐

sábado, 7 de novembro de 2020

WHAT YOU DON'T SEE | Fotografia



"Sometimes you climb out of bed in the morning and you think, I'm not going to make 
it, but you laugh inside - remembering all the times you've felt that way."






 
Sinto que falar acerca de Saúde Mental tem sido uma constante nas redes sociais ultimamente e, no entanto, ainda não é suficiente. Nos dias que correm, em especial por vivermos em ambiente de pandemia e com todas as restrições que lhe são associadas, a nossa saúde mental encontra-se cada vez mais debilitada. E é necessário desmistificar este tema, pois ainda há muita gente com vergonha de admitir que sofre de uma doença mental e que tende a esconder. Mas a verdade é que a saúde mental é tão importante como a saúde física. O problema é que quando temos ansiedade ou depressão ou sentimos insegurança ou falta de auto-estima, muitas vezes não é visível aos olhos dos outros. Gostaria de, com esta publicação, alertar para o aumento de empatia e generosidade, especialmente por parte de quem nunca passou por um problema deste género, pois muitas vezes aquilo que parece preguiça ou desinteresse é só alguém a tentar ultrapassar um dia mau da melhor maneira que consegue. Tentem falar com as pessoas, perceber o que sentem, tentem colocar-se no lugar uns dos outros e entreajudarem-se. Isto é essencial.